quarta-feira, fevereiro 21, 2007
REPOUSO
Abraços...
terça-feira, dezembro 12, 2006
VIDA!
- Sugiro que leia esse texto, ouvindo a música "Deus lhe pague" de Chico Buarque.
Fim de ano, planos, viagens, amigos, família, hospital, enterro (por que não né?!), pensamentos soltos, presos, esquecidos, jogados de lado, aquele papelzinho amassado que lembra tantas histórias, a música do cd do fulano, o fulano, o amigo do fulano, o livro que indicaram, talvez o filme, mais prático. Não, ainda prefiro o livro, o filme pra depois.
O passeio de tarde, o compromisso já marcado há dias, a falta de vontade de comparecer, a desculpa, a mentirinha boba, a saudade ... Nossa e bota saudade nisso!
O sonho, não aquele de alcançar um dia, o sonho que temos a noite mesmo, ou também aquele um de doce de leite, o café da tarde acompanhado de alguém especial, ou de alguém não tão especial assim.
A roupa nova, o prazer de usá-la pela primeira vez, o aguardo para usar a roupa nova e branca só no ano novo, o ano-novo! As boas vindas, os momentos mágicos, o momento a sós, a barraca, o vinho, o cobertor, a praia, infelizmente o dia de voltar.
As fotos, a máquina nova, a lembrança de ter ido e voltado, quem estava lá, o que encontramos, quem foi, quem não foi.
A briga, por menor que seja, o amor, o mais prazeroso, a reza por mais que não tenha lá tanta fé, o obstáculo para quem ainda não passou, a festa pra quem já conseguiu.
A bebida pra ficar bêbado mesmo, a ressaca pra se lembrar do que foi feito, a sede pra poder se recompor, a água de côco porque é abençoada.
O celular para comunicação imediata, a conta pra pagar, o trabalho, o salário, a dor de cabeça do aperto no fim do mês, o remédio pra essa dor, o descanso merecido do fim de semana, a saída de sábado a noite, as risadas, o sono merecido.
O óculos pra frente do computador, a Internet que só funciona as vezes, o técnico do provedor, o modem estragado, o modem novo, a dificuldade de entender informática.
O noticiário, a revista, o jornal, a matéria, o artigo, a entrevista, o perfil, o lead, o sub lead, a cabeça, a gravata, o suspensório, a foto, o engenhoso mundo jornalístico, a faculdade.
A conquista, a derrota, o campeonato brasileiro começando de novo, a negligência de não mais ter ido aos jogos do seu time, a decisão de esse ano ir com certeza! A torcida, o ingresso, o estádio, o gol, a cerveja pra comemorar, talvez uma camiseta nova do clube, a mudança de técnico, não entender muito de futebol, entender muito, jogar na quarta a noite, não jogar, só esperar a hora do churrasco.
Churrasco, uma chácara, uma escapadinha com amigos, risadas, colírios, óculos escuros, sonolência, chillas.
Palavras novas, novos significados, novas idéias, novos amores, novos amigos, novo emprego, nova casa, casa só sua, vida independente, promessas, oferendas.
Ano passando rápido, mais uma vez, cotidiano, aquilo de sempre e de repente,
Fim de ano!
sexta-feira, novembro 10, 2006
Por incrível que pareça, eu sinto!
- Desculpe leitor, parei um pouco para pensar em como seguirá a história de Lucia, enquanto isso, divirta-se com outra história. Obrigada pela preferência e volte sempre!
- Sugiro que leia esse texto, ouvindo a música “Preciso me encontrar” do Candeia.
Eu sinto medo. Mas só de algumas coisas
Eu sinto ódio. Talvez maior do que eu mesma
Eu sinto pena. Porque queria estar fazendo outras coisas
Eu sinto dor. E isso não sei bem por que
Eu sinto falta de ar. Porque às vezes todo o ar do mundo, é pouco para mim
Eu sinto formigamento. Talvez seja meu jeito de substituir as drogas que não uso
Eu sinto cansaço. Pois ter sentimentos cansa
Eu sinto fome. Porque larica, todo mundo sente um dia
Eu sinto frio. Pois por mais que não haja vento, meu corpo treme
Eu sinto sono. Porque depois do cansaço, o sono é muito maior do que qualquer sentimento.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Dia do Pode!
- 6º episódio...
- Sugiro que leia esse texto ouvindo a música "Por perto", do Pato Fú.
Hoje quando Marcio entrou aqui para fazer a vistoria das dez horas, me vi pensando em outra pessoa que não ele.
Lembrei-me daquele meu vizinho que avistei no ônibus... Pensei que podia me abrir com ele, mas quando menos percebi, já estava fora do biarticulado e nem tive chance de falar-lhe sobre meus problemas. Problemas, aliás, que eu não tinha e nem tenho, mas que criaram para mim.
Esta manhã, ele parecia tão próximo, mesmo que apenas por pensamento. Sentia uma sensação boa ao lembrar dele e de seu rosto me observando, e como seus olhos me registravam naquele aperto das seis da tarde.
Senti uma estranha vontade de saber como ele estava e onde estava e se estava realmente em algum lugar. Será que ele ainda lembra-se de mim?
Essa semana, pelo que o Marcio me disse, sairei pela primeira vez da clínica, eles chamam aqui de “Dia do pode”. Poderei, portanto, passar um dia com amigos e família em casa. A grande questão é que na minha casa não terei nenhum amigo me esperando e minha família, como sempre será apenas composta por dois membros, minha mãe e o Chatran aquele gato safado que insiste em fazer xixi no meu pé.
Não sou muito fã do dia do pode não, gostaria era de ficar por aqui mesmo... pelo menos aqui ninguém me chateia, nem o Chatran, muito menos dona Laura. E ainda posso conversar com o Marcio até ele cansar e dizer: Lucia, entra, agora tenho que trabalhar!
Será mesmo ela a maluca?
- 5º episódio...
- Sugiro que leia esse texto ouvindo a música "Sonhei" de Lenine.
O mais engraçado é que depois daquela última vez em que vi Lucia no ônibus, não consegui parar de pensar nela.
Eu vou aos lugares achando que vou encontrá-la, mas nada!
Queria saber se ela se mudou, para onde foi, que rumo levou.
Estranho, é que vejo a mãe dela sempre... uma tal de Dona Laura, como ouvi no mercadinho da rua de baixo, hoje pela manhã... já a própria Lucia, nunca mais!
Onze meses, onze meses sem vê-la.
Aqueles olhos angustiados pareciam tanto querer me dizer alguma coisa que até agora não decifrei!
Hoje fui almoçar na casa da minha irmã, ela e seu namorado finalmente noivaram! Tava na hora, Alice já estava ficando para titia.
Nem sei por que pensei em Alice agora; talvez pela semelhança com Lucia. Minha irmã é tão bonita quanto ela.
Queria poder entender por que diabos esta menina não me sai da cabeça!
E depois, dizem por aí, que a Lucia é que é maluca!!
sexta-feira, outubro 13, 2006
Sobre Marcio e remédios!
- 4º Episódio sobre Lucia. Leia os outros, para melhor aproveitamento! Divirta-se!
- Sugiro que leia esse texto, ouvindo a música Ironic de Alanis Morisette
Aqui vejo coisas diferentes... todos são pálidos e as cores pastéis me enjoam.
Faz tempo que eu não converso com alguém que não esteja chapado de remédio ou que não seja funcionário, se bem que desconfio do Marcio, ele tem cara de maconheiro! E é o único que não é pálido...
Pois é, o Marcio! Ele é lindo, forte, moreno, tem uma nuca linda! Sempre gostei de nucas não sei bem por que.
Quando ele vem fazer vistoria, sempre dou um jeito de conversar com ele.
Dia desses, ele disse que tinha ido a um show e que adorou e falou mais alguma coisa que não me lembro, porque estava perdida em sua beleza.
Há onze meses conheço o Marcio, já me imaginei sua namorada, noiva, esposa e sempre voltei à realidade quando ele entrava no quarto e dizia que era a hora do remédio.
Deus me livre tê-lo me remediando para sempre! Quero Marcio para outras funções!
Voltando ao início disso tudo, o quarto, o corredor, as coisas e as pessoas são brancas, pálidas e eu não quero mais ficar aqui.
O Marcio que me perdoe!
segunda-feira, outubro 09, 2006
Dona Laura.
- Se você está chegando aqui pela primeira vez, gostaria que soubesse que estou contando uma história em alguns textos e esse que segue, é mais um trecho. Para acompanhar desde o início, você pode ler os textos "Lucia linda" e "Aos olhos de Lucia". Divirta-se!
- Sugiro que leia esse texto, ouvindo a música "Behind blue eyes" do The Who.
- Desculpe, mas ela demonstra grande apatia ao tratamento!
- Mas isso é impossível, já faz onze meses e não há nenhum progresso, doutor?
- Então, no início ela ficou muito agitada, mostrava impaciência e dizia coisas desconexas. Com o tempo parou com esses distúrbios, pois aumentamos a medicação, mas agora mostra-se indiferente a qualquer tipo de interferência médica. Cremos que ela criou um Universo Paralelo.
- Mas isso é um absurdo! Minha filha é louca e vocês não fazem nada! Gasto uma fortuna nessa clínica para o senhor vir me dizer que ela demonstra apatia ao tratamento?! Ora, faça-me o favor!!!
- Minha Senhora, ela não é louca, apenas apresenta distúrbios de personalidade e...
- E nada, a Lucia é louca sim e vocês estão se recusando a medicá-la.
- Não, a senhora está completamente equivocada, se é isso que a senhora pensa, deve tirá-la dessa clínica, pois aqui não é hospício! Porém, tenho absoluta certeza que louca, sua filha não é!
- Pois bem, cuidarei disso ainda essa semana!
- Passe bem Dona Laura!